Elmar Juan Passos Varjão Bomfim trata o monitoramento geotécnico como um recurso de controle de risco, porque grandes escavações operam com incertezas inevitáveis entre o que foi previsto em projeto e o que o maciço realmente apresenta quando a obra avança. Em cortes profundos, contenções, rebaixamento do lençol e escavações próximas a estruturas existentes, pequenas variações de solo, água e carregamentos podem alterar o comportamento do sistema. Nesse cenário, instrumentar e acompanhar não é excesso de cautela, e sim um modo objetivo de “enxergar” o terreno em tempo oportuno, sustentando decisões técnicas mais precisas.
Incerteza geotécnica e decisão baseada em evidências
Na leitura de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a investigação geotécnica é indispensável, porém não elimina a variabilidade natural do subsolo. Por isso, a instrumentação entra como complemento para confirmar hipóteses, calibrar modelos e detectar tendências antes que virem anomalias relevantes. Assim, em vez de reagir a um problema instalado, a obra passa a operar com limites de controle, gatilhos de alerta e critérios de intervenção, o que melhora a previsibilidade de prazo e reduz a probabilidade de retrabalhos extensos.
Adicionalmente, o monitoramento permite tratar a escavação como processo, não como evento. À medida que a frente avança, as leituras revelam como o conjunto solo, contenção e água se comporta sob etapas diferentes de escavação e de carregamento. Dessa forma, a equipe consegue comparar o “esperado” com o “observado” e, quando necessário, ajustar sequências executivas, reforçar contenções ou revisar parâmetros, sem depender apenas de inspeções visuais, que costumam ser tardias para mudanças graduais.
Instrumentação e o que cada medida informa
Conforme o entendimento de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, escolher instrumentos é definir quais perguntas a obra precisa responder. Inclinômetros e marcos superficiais ajudam a acompanhar deslocamentos laterais e recalques, enquanto piezômetros e medidores de nível d’água esclarecem o comportamento do lençol e a eficiência do rebaixamento. Ainda assim, em contenções, tirantes e escoramentos, a leitura de carga e deformação pode ser decisiva para confirmar se o sistema está trabalhando dentro do previsto.
Por conseguinte, não basta instalar equipamentos, é necessário planejar a rede de instrumentação com coerência espacial e temporal. Sendo assim, pontos de medição precisam considerar profundidade, proximidade de estruturas sensíveis, zonas de maior risco e fases críticas, além de estabelecer periodicidade de leitura compatível com o ritmo da escavação. Nesse contexto, a instrumentação funciona como um conjunto integrado, já que dados isolados, sem comparação e sem referência, enfraquecem a tomada de decisão.

Limites, gatilhos e plano de ação antes do problema aparecer
Na ótica de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, o diferencial está em transformar leitura em decisão. Desse modo, a obra deve definir limites de atenção, alerta e intervenção, associados a medidas de resposta, por exemplo, reduzir avanço de escavação, alterar sequência, reforçar contenção, ajustar rebaixamento, aumentar frequência de leituras ou revisar escoramento. Assim, quando a tendência se afasta do esperado, a equipe não improvisa, pois já possui um roteiro técnico para agir rapidamente.
Ainda assim, é importante reconhecer que leituras podem ser influenciadas por ruído, calibração e condições de instalação. Portanto, qualidade do dado também precisa ser controlada, com verificação de instrumentos, rastreabilidade de leituras, registro de condições de campo e validação cruzada entre métodos, quando aplicável.
Integração com planejamento, segurança e comunicação técnica
Segundo Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, instrumentação não deve operar separada do planejamento, porque seu valor cresce quando se conecta ao cronograma, às etapas de execução e à gestão de interfaces. Logo, leituras e relatórios precisam conversar com reuniões de obra, com planos de inspeção e com decisões de engenharia, permitindo ajustes em tempo útil. Ademais, a comunicação técnica deve ser clara: gráficos, tendências, comparações com limites e registro das ações tomadas, de modo que o histórico fique consistente e auditável.
Por fim, o monitoramento geotécnico e instrumentação de campo reduzem incertezas porque ampliam a capacidade de antecipação. Quando a escavação é acompanhada por evidências, com limites e respostas definidos, o risco diminui, a segurança aumenta e o projeto tende a preservar prazo e orçamento com menor exposição a correções emergenciais.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez